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Ler os Nossos | O que li

No mês de Novembro decorreu, tal como no ano passado, o projeto Ler os Nossos, criado pela Cláudia do blog A Mulher que Ama Livros. Um projeto que tem como objetivo divulgar os nossos autores portugueses. E hoje venho falar-vos do que li no mês para este fantástico projeto.
Um conto de fantasia que podemos fazer o download gratuito no site Fantasy & Co, e ainda encontramos outros contos de autores portugueses para conhecer. Para quem gosta de fantasia recomendo.
Agora falando do conto que li. A Ponte das Almas Negras conta-nos a história da pequena Aurora, uma menina cega que tem o dom de ver as auras. E na sua vila existe uma ponte assombrada de almas negras que aguardam serem libertadas e a pequena Aurora pode ser a chave para a sua libertação. Confesso que estava à espera de gostar mais deste conto, pois já tinha lido um conto da autora (Coração de Corda) que tinha gostado muito e este tinha uma ótima premissa, mas não conseguiu cativar-me. Está muito bem escrito, mas senti que a leitura foi muita arrastada e muitas vezes perdi-me na história, por isso dei 2

Um livro que queria ler há muito tempo! Posso começar por dizer que no início da leitura comecei a achar o livro secante, mas ao longo da leitura fui-me apaixonando pela escrita da autora. Isabela conta-nos a história de vida de Maria Luísa sem preconceitos e de forma dura. Não há cá afloreados na história da nossa protagonista, uma mulher que passa diversas adversidades por ser gorda. Mas autora faz isto de uma forma bastante interessante! Os capítulos referem-se a várias divisões da casa dos pais da protagonista, onde dá-nos a conhecer diversos acontecimentos da vida dela com outras personagens, como por exemplo a sua mãe, o seu pai, e David (o seu amor). E desta forma não segue uma linha recta no tempo, vamos tendo diversos relatos em tempos diferentes, mas mesmo assim conseguimos seguir um fio condutor na história. No final sentimos na mesma o crescimento da Maria Luísa.    
“…há coisas que não estão destinadas a acontecer, que não depende da nossa vontade. Estamos totalmente nas mãos da história que trouxemos inscrita para cumprir.”

“Estou aqui de passagem, é para seguir em frente, sou de ferro e ninguém me dobra”.
A autora mostra-nos ainda o sentimento de perda dos que mais gostamos, seja porque se afastam de nós ou porque a sua vida chega ao fim. As relações familiares estão muito bem descritas neste livro, como também as amizades e amores na adolescência e a autora escreve de forma bem crua pensamentos de uma pessoa real. Um retrato perfeito de uma pessoa gorda que foi muito maltratada na vida, mas também uma pessoa que sempre foi desenrascada e consegue sempre ultrapassar os obstáculos. Não quero deixar de referir que muitas das inseguranças e sentimentos da Maria Luísa não são exclusivos de uma pessoa gorda, porque qualquer um pode-se ver um bocadinho nesta personagem. Dei 4
Queria ler um livro de contos para o projeto #nestórias e queria ler um livro de José Saramago , para o #lerSaramago. Fui à procura nas suas obras um livro de contos e encontrei este: Objeto Quase. Um livro onde o autor na sua linguagem poética e peculiar junta objetos, coisas, seres e humanos em seis contos bem diferentes. 
Os contos que gostei mais foi A Cadeira e Coisas, não gostei do Embargo e ainda não sei se percebi o último conto, Desforra. O primeiro conto, A Cadeira, deixou-me mesmo impressionada e entusiasmada para ler todos os contos. Gostei como Saramago levou-me numa jornada pela história da queda de Salazar, com apenas a queda de uma cadeira. 
O segundo conto, Embargo, conta-nos a história de um homem que na ida para o seu trabalho fica preso no seu carro. Dalguma forma o carro ganhou vida e não o deixa sair, parando só nas estações de serviço para encher o depósito de gasolina. É um conto que apresenta situações políticas e económicas que rodeiam a sociedade, mas eu não consegui gostar. 
Terceiro conto, Refluxo, gostei da ironia dos acontecimentos, que não posso dizer senão estragaria a experiência de leitura. Mas posso dizer que conta a história de um rei que não gostava da morte, por isso mandou retirar todos os cemitérios do seu território e construir bem longe para afastar a morte. E assim foi, construíram um cemitério que trouxe a vida!!! 
“mudam-se os tempos, mudam-se vontades e qualidades, o que foi perfeito deixou de ser, por razões em que as vontades não podem, mas que não seriam razões sem que os tempos as trouxessem.”
Coisas é o quarto conto e o mais longo, onde temos uma sociedade dividida em grupos conforme a capacidade de consumo das pessoas. E vivendo assim numa sociedade materialista, o que acontece quando as Coisas começam a desaparecer de forma inexplicável?! Gostei bastante devido ao forte ponto de vista moral e político. 
No quinto conto não temos objetos físicos, temos Centauros, sendo uma surpresa para mim o autor escrever um conto sobre estes seres místicos. O personagem no conto é um Centauro, metade homem, metade cavalo, que se esconde do mundo com medo da sua destruição, tal como aconteceu com outras criaturas.    
Por fim, temos o Desforra, um conto bem pequeno e, como já disse em cima, não percebi muito bem. Não consegui ligar a admiração de um rapaz por uma rapariga, à matança de um porco. Confesso que já reli o conto e não entendo o que o autor pretende transmitir com esta história. 
No global, posso dizer que gostei da minha leitura, Saramago tem uma escrita complexa, mas ao mesmo tempo é encantadora. Dei 3 
E foram estas as minhas para o projeto Ler Os Nossos e que para o ano haja mais, que eu vou participar nesta iniciativa de certeza. É claro que ao longo do ano não vou deixar de usar a hashtag #lerosnossos, porque quero descobrir autores portugueses desconhecidos para mim. E terei sempre um livro de Saramago guardado para o mês de Novembro. 

Boas leituras!

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