Livros

Opinião | A Criança em Ruínas de José Luís Peixoto

Autor(a): José Luís Peixoto
Editora: Quetzal 
Onde comprar: Wook

Gosto sempre de começar os post de opinião por explicar um pouco de como o livro veio parar à minha estante ou porque razão o li. Este é o segundo livro que leio de José Luís Peixoto, pois já tinha lido no início do ano Morreste-me, um livro que amei e fiquei com a certeza que queria ler mais deste autor português. Numa pesquisa de livros de poesia de autores portugueses para o projeto Ler Poesia da Cláudia e da Alexandra, pedi no twitter algumas sugestões e a Mariana sugeriu-me este livro de poesia. Como tinha adorado o primeiro livro que li do autor, coloquei logo este na minha wishlist da feira do livro para trazer comigo e ler ainda este ano. A Criança em Ruínas foi lido para o projeto #lerosnossos da Cláudia.

José Luís Peixoto é bem conhecido pela sua escrita poética, mas neste livro temos mesmo poesia e que acaba por dar continuidade ao livro Morreste-me. Assim sendo, temos novamente um registo muito pessoal do autor de diferentes fases da sua vida. O livro está dividido em três partes: na primeira temos novamente a morte do pai do autor e como isso afetou a sua família, por isso achar este livro a continuação do Morreste-me; a segunda parte é como se fosse uma conversa muito introspectiva consigo mesmo, cheia de problemas existenciais; e a terceira parte é sobre uma relação amorosa do autor, da qual nasceu uma criança e algumas inquietações. 

“a palavra poema existe para não ser escrita como eu existo
para não ser escrito, para não ser entendido, nem sequer por
mim próprio, ainda que o meu sentido esteja em todos
[os lugares
onde sou, o poema sou eu, as minhas mãos nos teus cabelos, 
o poema é o meu rosto, que não vejo, e que existe porque me
olhas, o poema é o teu rosto, eu, eu não sei escrever a 
palavra poema, eu, eu só sei escrever o seu sentido.”

Todo o livro é melancólico, doloroso e muito triste. Quero ainda referir que os poemas do autor nem sempre rimam e as pausas são ao longo dos versos, não coincidindo com as pausas das frases. Uma forma de escrever poesia que achei muito interessante e, talvez, muito própria do autor, porque foi o meu primeiro contacto com este estilo poético. E mais uma vez temos a prova de a quantidade não é qualidade, e num livro de 84 páginas o autor consegue transmitir tantos sentimentos e superar todas e quaisquer expectativas que eu tinha. 

“fico admirado quando alguém, por acaso e quase sempre 
sem motivo, me diz que não sabe o que é o amor. 
eu sei exactamente o que é o amor. o amor é saber
que existe uma parte de nós que deixou de nos pertencer.
o amor é saber que vamos perdoar tudo a essa parte 
de nós que não é nossa. o amor é sermos fracos.
o amor é ter medo e querer morrer.”

Vai ser um livro que vou voltar a reler de certeza e vou querer ler os outros livros de poesia do autor: A Casa, a Escuridão e Gaveta de Papéis. No youtube o autor tem diversos vídeos a recitar os seus poemas, deixo aqui um para verem:

Pontuação:
Já leram a poesia do José Luís Peixoto? Recomendam-me outro livro do autor?
Boas leituras,
Previous Post Next Post

Também podes gostar de:

2 Comments

  • Reply Claudia Oliveira

    Fiquei cheia de vontade de o ler

    Julho 9, 2018 at 21:49
    • Reply Raquel Silva

      Gostei muito!!! E acho que também vais gostar 🙂 Beijinhos*

      Julho 13, 2018 at 15:29

    Deixa um comentário