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Opinião | Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley

Título: Admirável Mundo Novo
Autor(a): Aldous Huxley
Onde comprar: Wook

Uma leitura para o projeto #101livrosffc e foi o livro escolhido no Clube dos Clássicos Vivos. Gosto de mundos distópicos mas não ia com nenhuma expectativa, visto que quando se fala deste clássico fala-se também do 1984 de George Orwell que eu não consegui terminar a leitura (mas vou dar nova oportunidade este ano). Gostei do mundo criado por Aldous Huxley, mas senti falta de um desenvolvimento nas personagens. Isto deve-se talvez aos meus gostos literários: livros com um mundo distópico, mas que se concentrem nas personagens também. E neste clássico o autor centra-se mesmo no mundo…

O Admirável Mundo Novo descreve uma sociedade futura em que as pessoas seriam condicionadas em termos genéticos e psicológicos, a fim de se conformarem com as regras sociais dominantes. Uma sociedade onde as pessoas são feitas e criadas para serem felizes, sendo divididas em castas e desconhecem os conceitos de família e de moral. Bernard Marx, o protagonista, sente-se descontente com ele, em parte por ser fisicamente diferente dos restantes membros da sua casta. Então, numa espécie de reserva histórica em que algumas pessoas continuam a viver de acordo com valores e regras do passado, Bernard encontra o jovem John que irá apresentar à sociedade asséptica do seu tempo, como um exemplo de outra forma de ser e de viver. Sem imaginar sequer os problemas e os conflitos que essa sua decisão provocará.

O mundo criado pelo Aldous Huxley está fantástico e o retrato desta sociedade biologicamente manipulada igualmente. É um livro que nos faz pensar, porque quem não gostaria de ser e estar sempre feliz?! Mas aceitaríamos o preço a pagar?! Porque esta felicidade é falsa, as pessoas são concebidas em laboratório, não havendo laços familiares e ninguém conhece os seus pais. São todos cópias…todos gémeos e não têm liberdade de escolha em relação ao seu destino, que é definido logo no processo de concepção.

A felicidade é uma soberana exigente, sobretudo a felicidade dos outros. Uma soberana muito mais exigente do que a verdade, quando não se está condicionado para aceitá-la sem restrições.

Neste mundo “cada um pertence a todos”, não existindo amor pelo outro e as pessoas são quase que obrigadas a trocar de parceiro regularmente, porque uma relação duradoura nem sequer é bem vista pela sociedade. O que nos leva a pensar que para sermos realmente felizes não podemos desenvolver qualquer tipo de sentimento, nem com a família nem com o próximo. Gostei de tudo o que envolve o consumo da droga Soma, uma droga consumida diariamente pelas personagens para lhes dar felicidade e para se relacionarem entre si, o que remete ao consumo das drogas na nossa sociedade atual.

No entanto, não me apaixonei pela escrita e foi um grande entrave na minha leitura, mas talvez se deva à minha edição, por isso irei adquirir a edição da Antígona para reler um dia. Houve mesmo partes do livro que não percebi e pensei que o ebook tinha algum erro, mas confirmei mais tarde que não. Além disso, o que me fez não amar este livro foi achar que tem um fraco desenvolvimento das personagens e da própria acção da história. O autor focou-se muito no mundo que criou e nas suas ideias de uma sociedade futurista, e esqueceu-se um pouco das personagens, algumas nem sabemos o que lhes aconteceu no final, simplesmente desapareceram da história.

“A ditadura perfeita terá as aparências da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão.”

Para além do mundo criado, o ponto forte deste livro para mim foi a personagem John, o Selvagem, e todos os conflitos de valores que ele trouxe à história. É esta personagem que nos faz refletir. Contudo, o desenvolvimento da sua história também foi sempre morno, nem o seu final trouxe algum sentimento. Talvez tenha sido mesmo esse o objetivo do autor, visto que no seu mundo, os sentimentos e as emoções são reprimidos. Adorei ver a paixão desta personagem por Shakespeare.

Mas eu não quero o conforto. Quero Deus, quero a poesia, quero o autêntico perigo, quero a liberdade, quero a bondade. Quero o pecado

Foi um a leitura rápida, porque tinha curiosidade de saber o que iria acontecer, mas ficou muito aquém do que estava à espera. Senti por vezes que estava a ler um relatório científico de um mundo futurista, do que um livro. Mesmo não tendo amado este clássico como muitas pessoas, considero na mesmo que deve ser um livro lido por todos, para fazer refletir no caminho que a nossa sociedade está a traçar.

Classificação: ★★★✩✩


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