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Opinião | Arquiteto de Paris de Charles Belfoure

Título: O Arquiteto de Paris
Autor(a): Charles Belfoure
Editora: Editorial Presença
Onde comprar: Wook

Vamos falar do livro O Arquiteto de Paris de Charles Belfoure, que faz parte da minha lista de 12 livros para 2019. Foi um livro que demorei algum tempo a ler, mas nada tem a ver com o não gostar, pelo contrário, gostei muito da escrita do arquiteto Charles Belfoure, que para primeiro romance surpreendeu-me. Gostei das várias perspectivas da ocupação alemã em Paris que autor nos dá ao longo do livro. No início não simpatizei nada com o protagonista, mas ao longo do livro comecei a gostar.

Neste livro é retratado o quotidiano da cidade de Paris em 1942, quando está ocupada pelas tropas alemãs, e temos a história de um arquiteto, Lucien Bernard, que se encontra desesperado por não te trabalho devido à guerra. O nosso protagonista recebe uma proposta para construir esconderijos para os judeus. Uma proposta quase irrecusável neste tempo de guerra, onde tudo era escasso. E ao mesmo tempo, Lucien aceita trabalhar para os alemães, projetando fábricas para criar armamento para a guerra entre os nazis e os aliados. Dois trabalhos totalmente incompatíveis e que podem colocar a sua vida em risco.

Este livro não é mais um livro sobre a Segunda Guerra Mundial, porque na minha opinião traz outras perspectivas, pois temos Lucien que não é judeu, um francês que trabalha para os alemães e até consegue fazer amizades com eles. Os alemães não são todos as bestas que imaginamos, no entanto temos capítulos no livro com a descrição de diversas acções da Gestapo, mostrando uma falta de humanidade que arrepia. O autor  retrata também alta-costura parisiense, o que é bastante interessante saber que numa altura destas ainda havia pessoas que pensavam em moda. E até a Resistência e as suas actividades pouco úteis são referidas no livro.

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No início temos um Lucien que não simpatizava nada com os judeus e pouco se importava com o seu sofrimento, pois tinha aprendido com o seu pai que os judeus eram ladrões ou burlistas. Os trabalhos que faz são unicamente para ganhar um dinheiro extra. Mas ao longo da história começamos a ver uma mudança nesta personagem, e a tornar-se mais sensível com o que presencia. Uma personagem muito bem construída, mas o livro está recheado de personagens interessantes, ora que odiamos ora que amamos.

“Durante a guerra, há pessoas que se julgava que não teriam coragem que se revelam plenas de valentia.”

No livro ocorre diversas situações que nos fazem refletir, pois pensamos sempre que jamais denunciaríamos um judeu, mas só quem passou por isso sabe que não é assim tão linear. Mas muitos também se aproveitaram da situação para se vingarem dos judeus, pela inveja que tinham deles. Ou seja, denunciava-se judeus ora por medo ora para beneficiarem de uma tratamento especial. Na minha opinião, o autor soube retratar muito bem a ocupação das tropas alemãs em Paris.

Charles Belfoure é arquiteto de profissão, o que me deixou surpreendida a forma como construiu esta história e as diversas personagens, como os acontecimentos se intercalam bem ao longo dos capítulos, deixando sempre um suspense no ar, o que leva o leitor a querer saber mais. Não dei 5 estrelas a este livro porque acho que esperava outro final, talvez mais real e cru. É uma leitura que recomendo para quem gosta do tema da Segunda Guerra Mundial.

Classificação: ★★★★✩


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