Ser Emigrante

Ser Emigrante | Respostas

Hoje no canal respondo a algumas perguntas que me colocaram no vídeo Ser Emigrante. Não foram muitas as pessoas que fizeram perguntas, mas as que fizeram, fizeram uma boa quantidade delas.

A Manganet perguntou: gostavas de voltar a morar em Portugal?
Publiquei aqui no blog uma pequena reflexão…se emigrar era desistir do meu país. E referi que não me vejo a regressar a Portugal num futuro próximo. O meu marido tem mais vontade de regressar do que eu.

Achas que depois de 5 anos aí conseguias voltar a adaptar-te em terras lusas?
Eu adapto em qualquer lugar. Nem todos sabem, mas antes de vir para França vivi 2 anos na Ilha da Madeira, e mesmo falando a mesma língua também passei por desafios de adaptação. O meu maior problema seria regressar a Portugal e adaptar-me à coscuvilhice do povo português. Quem vive em Terras pequenas sabe o que é isto…não gosto nada. E sou feliz aqui por viver no anonimato, ninguém sabe quem sou.

Achas que o estilo/qualidade de vida é melhor aí?
Sem dúvida alguma! Em Portugal vivia a 30 minutos do mar e também tinha uma qualidade de vida. Mas acho que aqui vive-se mais o slow living, vive-se com mais calma e na minha opinião de forma mais consciente. Em Portugal também podemos viver assim, mas falta abrir a mente de muitas pessoas. Nas escolas já incentivam as crianças para o desperdício zero, encontramos produtos biológicos em todo o supermercado cada vais mais a um preço normal. Isto é a minha experiência e o que eu gosto para a minha vida. E tenho consciência que viver em Paris não deve de ser assim de certeza. Eu vivo ao pé dos Alpes, com muitos lagos, os fins de semana são passados na natureza. Aqui aos domingos está tudo fechado, não há passeios no shopping… há passeios ao ar livre. Para além de que temos muita ajuda do estado para educação dos nossos filhos e um sistema de saúde muito melhor que o de Portugal.

Preferias morar num outro país / tencionas ainda mudar ou ficas-te pela França?
Gostava de viver em Inglaterra ou na Dinamarca. Mas devo ficar por terras francesas porque o meu marido não é de andar de um lado para outro. Já a minha filha Carolina diz que vai para Inglaterra e eu vou lá de férias fazer-lhe uma visita.

A Ana do Phoenix Flight perguntou: Como é que foi a adaptação da tua filha mais velha? Escola, amigos, uma língua completamente diferente!
Ora aqui está uma boa pergunta, mas esta merece um vídeo com a Carolina porque não há nada melhor do que ser ela responder. Mas posso dizer que a Carolina adaptou-se muito bem e prefere a escola aqui. Não quer voltar para Portugal, mas teve alguns problemas na escola, porque os miúdos são muito maus. Mas também eles são aqui e em todo o lado. Aqui são mais controlados. Se chegam atrasados ou faltam ligam logo para os pais a pedir justificação. Prometo um vídeo sobre o assunto com a Carolina.

Qual foi o maior choque cultural que já sentiste?
Eu sou uma pessoa que se adapta muito bem como já disse, e não senti um grande choque cultural. França tem uma grande comunidade portuguesa, a cultura não é assim tão diferente da nossa. O maior choque para mim foi talvez ir ao supermercado e não encontrar os nossos produtos, coisas simples como querer bolachas Maria e não encontrar. Outra coisa foi por exemplo, não estava habituada a chegar em qualquer lugar e ter de cumprimentar as pessoas com dois beijos na cara. Chegar ao trabalho e dar beijos o todos os colegas, se não és uma pessoa sem educação. Em Portugal não fazemos isso!? Aqui há sítios que se dá 3 ou 4 beijos, conforme o respeito que temos pela pessoa. E diz sempre em todo o lado Bonjour e Merci. Vamos ser sinceros, eu trabalhei no comércio e restauração em Portugal…as pessoas não o dizem!

Sentiste a transição de pensamento, aquele momento em que parece que cai a ficha “estou noutro país, estou para ficar”, aquele momento em que a língua deixa de soar estranha ao ouvido?
Eu sempre soube que vinha para ficar, estando ou não estando com o meu marido. Mas quando cá cheguei no início tive uma amiga portuguesa que me disse que essa ficha lhe caiu quando começou a sonhar em francês. E é mesmo verdade, no dia em que acordas e viste que tiveste a sonhar em francês….cai-te a ficha. Quando começas a trocar palavras, estás a falar em português e sai de lá uma palavra francesa no meio: “ele está a vir…ele está a venir”, a carta de identidade em vez de o cartão de identidade.

E falando na língua, como é que foi aprender francês? Quais foram as maiores dificuldades e as coisas que te surpreenderam por serem mais fáceis do que esperavas?
Não achei difícil aprender o francês, fiz uma formação profissional de 4 meses. O francês e o português são parecidos, muitas palavras são idênticas e a construção das frases é igual. E sabemos que os franceses carregam muito nos r’s. O problema aqui em França é que eles não dizem as letras todas que estão na palavra, as consoantes que terminam uma palavra não são ditas, por exemplo o verbo falar “parler” não se diz o r. Continuo com alguma dificuldade com a conjugação dos verbos, mas no que diz respeito a aprender a língua, é não ter vergonha!! E aqui as pessoas ajudam. Eu no início ia aos sítios com o google tradutor e desenrascava-me assim.

A Ana referiu que era interessante saber como é para um adulto aprender outra língua. Para a minha filha Carolina foi mais fácil aprender, e porque ela ainda continua na escola e tem contacto todos os dias com o francês correto. Para mim não foi difícil porque eu gosto de estudar e sou uma pessoa aplicada. Tinha acabado de terminar a minha licenciatura em Portugal. E vou voltar a estudar agora que estou em casa com a Catarina.

A Ana perguntou ainda a zona onde vivo, se não me importava de responder. Eu vivo no departamento 74 da França, entre Lyon (1h de autoestrada) e de Genève, 40 min pela nacional. A vila mais conhecida daqui é Annecy, dizem que é a Veneza dos Alpes. Realmente é muito linda eu adoro ir para lá passear.

Deixo aqui o vídeo:

Se tiverem mais alguma questão digam nos comentários que farei outros vídeo.

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